silveirasemfoto.com

SILVEIRAS E A REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1842

 
Marco Aurélio Alves Costa
Missa de Inauguração das TrincheirasDesde muito criança ouvi avós e uma bisavó contando sobre a saga de nossos antepassados bandeirantes, sobre o fausto vivido à época em que a cafeicultura foi, no século XIX, a mola mestra da economia do Brasil. A beleza dos saraus, as tradicionais festas religiosas, as dificuldades do dia-a-dia, as disputas políticas, a grande tristeza da escravidão, os segredos de alcova, as duas revoluções sangrentas que marcaram profundamente nossa família: a Liberal, de 1842, e a Constitucionalista, de 1932... Muitas dessas histórias cercam-se de mistérios. O episódio de 1842, entretanto, é o que se apresenta, para mim, revestido de maiores contradições, principalmente no que tange ao assassinato do Capitão Manoel José da Silveira (1794/1842).



Como se sabe, no dia 3 de junho daquele ano em que os liberais rebelaram-se contra o governo imperial, descontentes com o fato de perderem o controle do poder para os rivais do Partido Conservador, o chefe desta facção em Silveiras, sitiado em sua casa assobradada, em estilo colonial (infelizmente em ruínas hoje), “pouco depois do meio-dia, sendo inútil qualquer resistência”, resolveu entregar-se e, “quando saía à rua, foi assassinado”. A partir desse momento, os liberais dominaram Silveiras por mais de um mês, sendo derrotados pelas tropas legalistas comandadas pelo então Barão, depois Duque de Caxias, em 12 de julho de 1842, tendo tombado sem vida, naquele fatídico dia, mais de 50 silveirenses na histórica “Batalha das Trincheiras”.

O que mais escutamos e lemos por aí é que a morte do Capitão Manoel José da Silveira está ligada a questões meramente políticas, ao fato de ele ter tomado posse do cargo de subdelegado, desafiando as autoridades locais do partido adversário, o Liberal, que, à época, concentravam-se na vila de Lorena, à qual pertencia a então freguesia dos Silveiras.

Lê-se muito que, em Silveiras, o Partido Liberal era comandado pelas famílias Ferreira Pinto, Abreu e Felix de Castro, antagonizadas pelos Silveira, Cunha Bueno, Guedes de Siqueira, esteios do Partido Conservador local.

De fato, o líder dos liberais silveirenses era o Tenente Anacleto Ferreira Pinto (1782-1857), sendo que o Capitão Manoel José da Silveira, assim como o Tenente-Coronel Manoel Bueno de Siqueira (1778-1866 – meu hexavô – então comandante da Guarda Nacional) chefiavam o Partido Conservador. Entretanto, a “matemática” dessa história, como frequentemente descrita, não fecha para mim quando constato, em vários documentos e publicações, que um dos assassinos do Capitão Silveira foi o Tenente Antonio Bueno da Cunha (1818-1865), um legítimo conservador, filho do citado Tenente-Coronel Manoel Bueno de Siqueira, portanto, meu pentavô.

O que explicaria o fato de alguém tirar a vida de um dos líderes do partido ao qual estava ligado? Graves dissidências internas? Teria o Tenente Antonio Bueno da Cunha, de apenas 24 anos, num arroubo da juventude, aproveitado da situação para eliminar o Capitão Silveira e trazer para si e para seu pai o controle total do Partido Conservador?

Adicionemos a isso outros fatos que, ao que parece, não têm sido considerados pelos estudiosos do tema até hoje. Eu, pelo menos, nunca li publicações a respeito. O Capitão Manoel José da Silveira e um de seus assassinos, justamente o Tenente Antonio Bueno da Cunha, eram primos! A genealogia auxiliará a história nesse ponto. Vejamos:

Manoel José da Silveira era filho de Francisco Antonio da Silva e Anna Maria da Silveira. Esta era filha do português Antonio da Silveira Guimarães e de Maria da Motta de Jesus, considerada uma das fundadoras do rancho dos Silveiras, que deu origem à atual cidade de mesmo nome. Pois bem, Maria da Motta de Jesus era filha do Tenente-Coronel Balthazar do Rego Barbosa e de Bernarda Rodrigues do Prado (descendentes do bandeirante Diogo Barbosa do Rego – falecido em Guaratinguetá, em 1661, bem como do fidalgo Dom João do Prado – 1510-1597). 
Agora vamos ao Tenente Antonio Bueno da Cunha, filho, como já se disse, do Tenente-Coronel Manoel Bueno de Siqueira, este, filho de José do Rego de Siqueira, o qual vem a ser irmão, por parte de pai e mãe, da mencionada Maria da Motta de Jesus (Genealogia Paulistana, Silva Leme, Título Raposos Góes, volume III, filhos 4-5 e 4-6, página 76).

Demonstrado que vítima e um de seus assassinos, além de partidários políticos, eram primos (tinham os mesmos bisavós), há um terceiro elemento que os vinculava: a mulher do Capitão Silveira era Dona Margarida Bueno de Siqueira, filha de Francisco Guedes de Siqueira e de Maria Bueno de Lima, portanto, prima de segundo grau daquele que tirou a vida de seu marido e, de acordo com a tradição de família, recebeu seu perdão.

É conhecido um artigo do escritor silveirense Vicente Felix de Castro (1822-1878), que vivenciou a Revolução Liberal de 1842, bem como a trágica cena da morte do Capitão Silveira, artigo datado de 1872 e publicado, em 1878, no “Almanach Litterario de São Paulo”, páginas 168-171, em que o autor aponta traços da personalidade daquele chefe político conservador como sendo “homem sem instrucção, quase um analphabeto, inimizado em todo o município por causa do seu caracter iracundo, vingativo e intolerante”... Ora, aqui, à primeira vista, poderíamos cogitar que Vicente Felix de Castro, um liberal, filho e irmão de ferrenhos liberais, totalmente envolvidos na rebelião, tomara uma posição parcial, tendenciosa. Parece que não...

Da análise de fatos, documentos e depoimentos de ancestrais, depreende-se que o Capitão Silveira não só foi homem odiado por seus adversários políticos, como também por uma facção de correligionários, além de alguns familiares seus!  
 Marco Aurélio Alves Costa é graduado pela Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco e atua como advogado em São Paulo.

fonte:http://www.jornalolince.com.br/2012/abr/focus/4420-silveiras-e-a-revolucao-liberal-de-1842

Silveiras

Silveiras

Nossa História

Nossa História

Advogados

CONHEÇA SILVEIRAS

Silveiras , a ntigo rancho de tropeiros, desenvolveu-se no século XIX com a introdução do café no Vale do Paraíba. Em 1842, foi elevada...

Acesse aqui

Acesse aqui
Digite o nome da pessoa ou negócio que procura em SILVEIRAS SP:

Páginas